Uma criança diferente?!

Para muitos que só se preocupam com os “3 Ps”: Postais, Perus e Panetones – não é. Mas para os que procuram celebrar o Advento e o Natal conforme o seu significado real, sim, este Menino é uma criança diferente!

Escultura anônima sobre o Menino Jesus.


Deus considerou-o tremendamente importante e revelou-o não só a um dos biógrafos de seu Filho, mas a dois. O evangelista Lucas nos informa que a notícia da milagrosa gravidez de Maria foi anunciada por um anjo: “Você ficará grávida, dará à luz um filho”, Lc.1.31. A jovem respondeu: “Isso não é possível, pois eu sou virgem!”, Lc.1.34. Daí o anjo esclareceu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Deus Altíssimo a envolverá com a sua sombra. Por isso o menino será chamado de santo e Filho de Deus”, Lc.1.35.

Já o evangelista Mateus não faz rodeios e diz: “... Maria ia se casar com José. Mas antes do casamento ela ficou grávida pelo Espírito Santo”, Mt.1.18. José era um homem que sempre agia com honestidade e o anjo, então, explicou-lhe: “José, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois ela está grávida pelo Espírito Santo. Ela terá um menino, e você porá nele o nome de JESUS, pois ele salvará o seu povo dos pecados deles”, Mt.1.20,21.

Só um Emanuel sem pecado poderia tirar os pecados do mundo. Qualquer criança nascida naturalmente de pais humanos traria consigo o pecado. Para contornar isso, extraordinariamente, Deus modificou o processo.

O coral dos anjos identificou o Pai do Menino de Belém, ao cantar: “Glória a Deus nas maiores alturas do céu!”, Lc.2.14. É uma criança diferente! É o Deus conosco! “Porquanto, nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”, Cl.2.9.

Nesta quadra do Advento e no Natal, proclamemos: ... Eis o Cordeiro Deus! ... Eis o Salvador do mundo! ... Eis o nosso amado Senhor e único Rei!

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº372

Cicatrizes do sofrimento

Quem passou a infância no campo certamente carrega alguma cicatriz por causa de uma tentativa de passar pelos arames farpados das cercas dos pastos verdejantes. (foto: Jean Tosetto)
Quem passou a infância no campo certamente carrega alguma cicatriz por causa de uma tentativa de passar pelos arames farpados das cercas dos pastos verdejantes.

“O Senhor é o meu pastor: nada me faltará”, Sl.23.1. O autor do Salmo 23 está bem qualificado para falar do Senhor como seu Pastor, pois não é outro senão o próprio rei Davi, o qual conhecia muito bem, desde a juventude, os pastos e campos de Judá. Guardando o vulnerável rebanho de ovelhas, Davi reconheceu como era semelhante o tratamento que ele recebeu de seu Deus. Enquanto Davi passava por vales escuros e lutava contra lobos ferozes, lembrava-se da proteção que o Senhor Deus lhe dava.

As ovelhas não mudaram, as pessoas não mudaram, e o Senhor não mudou. Ele ainda acena e diz àqueles que estão ansiosos e preocupados com os cuidados da vida: “Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso”, (Mt.11.28).

Está alguém necessitado de descanso e refrigério? Pois o bom Pastor Jesus está esperando para levá-lo aos pastos verdes e às águas tranquilas. E quando isso acontece, bondade, misericórdia e alegria não ficam longe.

Talvez você venha enfrentando um período difícil na vida. Quem sabe a perda de um ente querido, dificuldades no relacionamento familiar, ou uma grave doença. Surge-lhe então a pergunta: Onde está Deus? E agoniado pela incerteza do amanhã, chega a pensar que Deus não se interessa por você, e fica tentado a renunciar à ideia de que Ele é bondoso.

Pois, então, quero reanimá-lo na certeza de que Deus é o socorro bem presente em qualquer tribulação. Mesmo que não entendamos o porque de nossa angústia e sofrimento, precisamos reconhecer que, enquanto vivermos nesse vale de lágrimas, estamos sujeitos ao pecado e às suas consequências. É importante, por isso, buscar resposta na cruz de Jesus. Nela Cristo foi morto por amor a nós, para nos dar consolo e uma nova perspectiva em meio as atribulações. E, confiando assim em Deus, concluiremos com Davi: “O Senhor é o meu pastor: nada me faltará. Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranquilas”.

Diz-se que Deus procurará em nós nem medalhas, nem diplomas e nem títulos, mas cicatrizes! Que medalhas de honra mais nobres pode um filho de Deus desejar, do que as cicatrizes do sofrimento e da dor, vencidos na fé em Cristo Jesus?!

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº371