A ponte e o carpinteiro

Dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito.  Foi a primeira grande desavença em toda uma vida de trabalho lado a lado.  Mas agora tudo havia mudado.  O que começou com um pequeno mal entendido, finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio.  Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta. - “Estou procurando trabalho e talvez você tenha algum serviço para mim”, disse o visitante. “Sim, tenho mesmo”, falou o fazendeiro, e explicou:  “Você está vendo aquela fazenda ali, além do riacho?  É do meu vizinho, que na verdade é meu irmão mais novo.  Nós brigamos e não posso mais suportá-lo.  Vê aquela pilha de madeira ali no celeiro?  Pois use para construir uma cerca bem alta.” - “Acho que entendo a situação”, disse o carpinteiro e concluiu: “Mostre-me onde estão a pá e os pregos.”

O irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade.  O homem ficou ali cortando, medindo, trabalhando o dia inteiro.  Quando o fazendeiro chegou, não acreditou no que viu: em vez da cerca, uma ponte foi construída ali, ligando as duas margens do riacho.  Um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou irado e falou: “Você foi atrevido construindo esta ponte depois de tudo que lhe contei.”

Ponte de madeira sobre rio em Brotas/SP (foto: Jean Tosetto).

Mas as surpresas não pararam aí.  Ao olhar novamente para a ponte viu o seu irmão se aproximando de braços abertos.  Por um instante permaneceu imóvel do seu lado do rio.  O irmão mais novo então falou:  “Você realmente foi muito amigo construindo esta ponte mesmo depois do que eu lhe disse.”  E de repente, num impulso, o irmão mais velho correu na direção do outro e abraçaram-se, chorando no meio da ponte.  -  O carpinteiro que fez o trabalho partiu com sua caixa de ferramentas.  “Espere, fique conosco! Tenho outros trabalhos para você.” Mas o carpinteiro respondeu:  “Eu gostaria, mas tenho outras pontes a construir!”

Como as coisas seriam bem mais fáceis se parássemos de construir cercas e muros e passássemos a construir pontes com nossos familiares, amigos, irmãos na fé, colegas do trabalho, do estudo e, principalmente, com nossos contendores.

Há poucos dias celebramos o nascimento daquele Carpinteiro que veio humilde, mas poderoso, o qual, por sua morte e ressurreição, não só construiu uma ponte entre Deus e os homens, como também nos ensinou e motivou a amarmos assim como Ele nos amou.  Que o Ano Novo seja agraciado com muitas pontes!

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº 384


Um cântico de vida

Com o primeiro domingo de Advento (29/11/2015) a Igreja iniciou um novo ano cristão. O calendário civil logo também marcará a chegada do Ano Novo (01/01/2016). Nesta sequência do tempo, os portadores de uma acentuada veia poética talvez diriam que isso é qual “Um cântico de Vida”.

Um asno, tendo ouvido alguns gafanhotos chilreando, ficou altamente encantado. Desejando possuir a mesma melodia charmosa, perguntou-lhes o que comiam para ter tão belas vozes.  A resposta dos gafanhotos foi: “O orvalho.” O asno resolveu, então, viver apenas de orvalho e em pouco tempo morreu de fome.

Viver de orvalho? (foto: Jean Tosetto)

Se os cristãos decidem viver do orvalho do mundo, seguramente experimentarão, em curto espaço de tempo, suas mortes espirituais. – Que tipo de música tem saído de nossos lábios?  O que temos apresentado àqueles que nos conhecem e participam de nosso dia a dia?  O que as pessoas podem testemunhar a respeito de nosso canto de vida?

Andamos por este mundo atrás de complementos que julgamos necessários para fazer a nossa vida mais aprazível.  Achamos que se melhoramos um pouco aqui e progredimos outro tanto ali, alcançaremos mais destaque projetado para nossa satisfação. E muitas vezes esquecemos que a beleza da melodia de nossa vida não depende de fatores externos ou de aquisições de acessórios encontrados nas rondas pelos atalhos mundanos.  Ela se concentra em nosso interior e é fruto de um relacionamento íntimo com o Cristo do Natal que entra em nossos corações quando nos arrependemos dos pecados e o convidamos para dirigir nossas vidas.

O som harmonioso de nossas palavras e o brilho celestial em nossos rostos não são conquistados através dos prazeres mundanos ou bens materiais adquiridos no trajeto de nossa existência, mas são resultados de uma vida de fé e obediência a Deus, de amor ao próximo, do compartilhar da Palavra, do exercício da oração e intercessões. Fazendo a vontade de Deus estamos nos alimentando de tal forma que nossas atitudes sempre produzirão um cântico que a todos encantarão.  Inclusive ao Senhor!

Sua vida tem sido um louvor a Deus e uma bênção ao próximo?

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº 383