O sopro transformador

Ingeborg Psalter, Pentecost  Musée Condé MS. 66  ca. 1200  Musée Condé, Chantilly
Gravura sobre pentecostes exposta no Museu Condé em Chantilly, na França. 


Na festa do Pentecostes, que corresponde a antiga Festa da Colheita ou Festa das Semanas, celebrada cinquenta dias após a Páscoa, os discípulos receberam aquilo que o Salvador Jesus lhes havia prometido: o Auxiliador. Em meio a fortes ventos e chamas de fogo - símbolos do poder e presença de Deus - o Espírito Santo invade o corpo dos discípulos, os encoraja a testemunhar da sua fé em Cristo e os capacita a falar em línguas compreendidas pelos diferentes povos presentes em Jerusalém. [Ler na Bíblia, no Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 2].

Simão Pedro, que outrora protagonizara um momento de covardia, negando a Cristo três vezes para salvar o próprio pescoço, levanta-se e não se intimidando perante as autoridades judaicas e romanas, afirma com ousadia que as Sagradas Escrituras estão se cumprindo. Evoca o rei Davi e lembra o povo de que ele sabia que Deus haveria de enviar um Rei Salvador e acreditava que este Messias não apodreceria na sepultura. E daí Pedro proclama veementemente que sua plateia acaba de viver o mais importante acontecimento de toda a história. “Deus ressuscitou este Jesus, e todos nós somos testemunhas disso. Pois Jesus foi levado para sentar-se ao lado direito de Deus, o seu Pai, o qual lhe deu o Espírito Santo, como havia prometido. E Jesus derramou sobre nós este Espírito, conforme vocês estão vendo e ouvindo agora.” (At. 2.32,33)

Cerca de três mil pessoas reagem diante desta poderosa mensagem de Pedro, juntam-se ao grupo de seguidores de Jesus e são batizadas. Logo, todos estão falando sobre isto e não só em Jerusalém. Os peregrinos retornam aos seus países de origem e levam consigo esta mensagem transformadora. E a fé cristã, a partir daí, se torna um fenômeno mundial.

O Espírito Santo é Jesus em ação na continuidade do seu ministério até hoje. Você deseja sentir a sua presença? Então, ouça, lê e medite nas Sagradas Escrituras. Abra o seu coração à boa nova do Evangelho de Cristo e sinta o sopro transformador e renovador do Espírito de Deus.

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº 399

O Senhor Deus dá o que é preciso

"Sacrifício de Isaac", óleo de 1603, pintado por Caravaggio, exposto na Galeria Uffizi em Florença, Itália.
"Sacrifício de Isaac", óleo de 1603, pintado por Caravaggio, exposto na Galeria Uffizi em Florença, Itália.

Deus convoca Abraão a matar o seu filho, que nascera sob uma promessa e a quem ele tanto ama. E, surpreendentemente, Abraão começa os preparativos necessários, sem dar qualquer explicação disso a ninguém. Levanta-se de madrugada, atrela o seu jumento, corta lenha para o sacrifício, sai e segue rumo a uma montanha na terra de Moriá.

É impressionante! Abraão não questiona Deus, não revela sentimentos de contrariedade, não fala nada com Isaque e muito menos com seus dois empregados que o acompanham. Simplesmente cumpre o que lhe foi exigido.

Mas, mesmo que Abraão prontamente se dispõe a obedecer a ordem de Deus, isto não significa que ele não tenha sentido uma grande aflição. No entanto, a sua plena confiança e fé neste seu Deus provedor sobrepujaram toda e qualquer expectativa. Da mesma forma, a conduta de Isaque merece destaque, pois é impressionante quando em sua obediência acompanha a seu pai, sem questionar. Ele apenas manifesta uma dúvida: “Onde está o carneirinho para o sacrifício?” - (Leia Gn. 22.1-19)

“Abraão responde: DEUS DARÁ O QUE FOR PRECISO; ele vai arranjar um carneirinho para o sacrifício, meu filho.” Que tamanha fé e amor Abraão demonstrou! E esta sua fé, além de agradar a Deus sobremaneira, também serviu de testemunho ao seu filho sobre a confiança que o pai depositava no Senhor Deus. E até os dias de hoje esta obediência resignada e fiel de Abraão a Deus continua sendo exemplo e encorajando a todos nós. “O Senhor Deus dá o que é preciso.” (v.14b)

Abraão agiu através da fé. Uma fé autêntica não questiona. Uma fé verdadeira não racionaliza. Uma fé heroica simplesmente aceita e confia plena e absolutamente na ação de Deus. Abraão creu e confiou que a salvação depende exclusivamente de Deus e por Ele é realizada. Abraão tinha certeza de que de alguma forma Deus haveria de providenciar, não somente o cordeiro para substituir a morte sacrificial de seu filho Isaque, como também do próprio Abraão como pecador, e, mais ainda, do mundo inteiro transgressor. Essa extrema confiança de Abraão não foi em vão. Deus, realmente, deu o que era necessário. Não só providenciou o carneirinho para ser sacrificado em lugar de Isaque, mas também deu o que era preciso para toda a humanidade pecadora. O Pai eterno sacrificou o seu próprio e único Filho na cruz em favor de todos nós.

O Senhor Deus deu o que era necessário! E o seu desejo é que esta boa notícia seja proclamada a todo o mundo, a fim de que todo aquele que nele crer, não pereça, mas receba e tenha a vida eterna. E quem nele confiar a exemplo de Abraão, jamais ficará desiludido e nunca se sentirá abandonado. Portanto, confiemos sempre em Deus! Ele doou tudo o que foi preciso para que vocês e eu fôssemos perdoados e salvos. E, certamente, também nos dará o que for necessário para nos conservar firmes na fé até o fim.

Gratos somos por tanto amor, nosso bendito Redentor! E que não seja em vão, ó Jesus Senhor, o teu martírio expiador! Amém.

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº 398