Onde está Deus?

Detalhe de "Sorrowing old man" (1890). Pintura de Vincent van Gogh (1853-1890) exposta no Kröller-Müller Museum em Otterlo nos Países Baixos.
Detalhe de "Sorrowing old man" (1890). Pintura de Vincent van Gogh (1853-1890) exposta no Kröller-Müller Museum em Otterlo, nos Países Baixos.

Em meio a fatídicos acontecimentos ocorridos recentemente, ouviu-se a seguinte pergunta: “Onde está Deus frente a tantas desgraças?” - Geralmente pensamos estar livres de todo o mal. E então, quando uma desgraça nos envolve, somos tentados a mergulhar na depressão e no desespero. Ficamos atordoados. E, confusos, questionamos: Onde está Deus?

Se você tem tido alguns contratempos como, por exemplo, uma doença que chegou no pior dos momentos, o desemprego que surpreendeu você justamente quando você estava se estabilizando, o falecimento repentino de uma pessoa querida da família, uma catástrofe qualquer na natureza que o privou de boa parte de seus bens, uma enfermidade indomável que lhe exige sucessivas hospitalizações e um prolongado e doloroso tratamento, então, medite nesta palavra do Senhor Deus registrada no livro bíblico de Isaías 49.15,16a: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei.”

Diante dos problemas difíceis da vida, custa-nos aceitar um simples consolo divino. Preferimos buscar soluções em filosofias baratas e em definições sofisticadas. O resultado será ainda mais dúvidas e ainda maior o desespero.

Deus, entretanto, nunca se afasta de nós e não deseja abandonar-nos à perdição completa. E, por isso, convida-nos a que nos entreguemos confiantes no seu amor e na sua paz. Ele conhece muito bem as situações pelas quais cada um de nós passa. E ele sabe quão difícil é livrar-nos delas.

Isto ele mesmo experimentou na pessoa de Cristo. Quando esteve visivelmente aqui na terra, Jesus se identificou com as pessoas que o rodearam e sentiu a dor delas. Os Evangelhos nos contam como Jesus foi bondoso e compassivo para com todos e como sempre estava disposto a alcançar a sua mão aos aflitos e necessitados. Pois, a sua atitude ainda hoje é a mesma. Continuamente, Deus se interessa por nós e nos estimula a, através do Salvador Jesus Cristo, depositarmos as nossas preocupações diante das desgraças, em suas poderosas mãos.

Você não está sozinho perante as inquietações e os obstáculos da vida! Deus, em Cristo, segura você pela mão! Confie nele, pois assim, mesmo em meio às tribulações, você desfrutará a verdadeira paz interior! Siga o conselho do salmista: “Ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará.” Sl.37.5
- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº8 em abril de 2018.


A benção de Deus para agora, amanhã e sempre

"Cristo e a mulher samaritana no poço" (circa 1585). Pintura de Paolo Veronese (1528-1588) exposta no Kunsthistorisches Museum em Viena, na Áustria.
"Cristo e a mulher samaritana no poço" (circa 1585). Pintura de Paolo Veronese (1528-1588) exposta no Kunsthistorisches Museum em Viena, na Áustria.

É um grande privilégio podermos iniciar uma nova semana recebendo a bênção de Deus que se encontra no livro bíblico de Números, capítulo 6, versículos 24 a 26: “Que o Senhor os abençoe e os guarde; que o Senhor os trate com bondade e misericórdia; que o Senhor olhe para vocês com amor e lhes dê a paz.” 

Esta tríplice bênção os sacerdotes de Israel – Arão e seus filhos – por indicação do próprio Deus ao seu servo Moisés, pronunciaram sobre o povo israelita. Mas, seu uso não está confinado ao clero. Tais palavras têm sido empregadas em inúmeras ocasiões através dos séculos como meio de suplicar a Deus favorecimento a outros. Incluem um pedido de proteção e cuidado, de graça e compaixão, de harmonia e serenidade. São palavras bem conhecidas, especialmente por aqueles que congregam fielmente nos cultos cristãos dominicais, pois elas são geralmente usadas para finalizar esses momentos de reunião, louvor e comunhão. 

“Se for para pedir a bênção e me dizerem - Deus o abençoe - eu vou pedir diretamente a ele, sem intermediário”, disse alguém. Tudo bem, nada o impede de fazê-lo. Deus poderia abençoar diretamente o povo de Israel sem passar por Arão, mas não fez assim. Ele preferiu nos dar esta possibilidade porque deseja que nós abençoemos uns aos outros ao invés de nos amaldiçoarmos reciprocamente. Então, que tal exercitarmos esse hábito, mas não só em nosso ambiente doméstico e familiar, como também estendê-lo às demais pessoas, quer sejam conhecidas ou não? 

E nesse período na Quaresma lembremo-nos de modo muito especial, com fé e gratidão, da maior bênção que recebemos de Deus: O envio de Seu Filho Jesus para nos resgatar do pecado e da condenação eterna. Por Sua vida, morte e ressurreição Jesus nos oferece e dá perdão, salvação e paz. E o que nós temos de fazer com isso? Crer no Salvador e confiar plenamente na Palavra e Promessa do Senhor. A bênção de Deus repousa ricamente sobre aqueles que confiam no Cristo que foi ressuscitado e que consagram suas vidas a este único Senhor e Redentor. 

Portanto, creia e confie! Viva pela fé no Filho de Deus e desfrute de suas inigualáveis bênçãos agora, amanhã e sempre! E que Deus mantenha Suas mãos amorosas sobre nossas cabeças ao longo da vida e, por intermédio de Cristo Jesus, nos conceda perdão, fé, salvação, paz, gratidão, perseverança e Suas demais bênçãos. Amém.

 - Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº7 em março de 2018.