Um ano melhor

"A figueira no parreiral" - imagem criada por Jean Tosetto especialmente para esta mensagem.

“Certo homem tinha uma figueira na sua plantação de uvas. E, quando foi procurar figos, não encontrou nenhum. Aí disse ao homem que tomava conta da plantação: - “Olhe! Já faz três anos seguidos que venho buscar figos nessa figueira e não encontro nenhum. Corte esta figueira! Por que deixá-la continuar tirando a força da terra sem produzir?” – Mas o empregado respondeu: - “Patrão, deixe a figueira ficar mais este ano. Eu vou afofar a terra em volta dela e pôr bastante adubo. Se no ano que vem ela der figos, muito bem. Se não der, então mandarei cortá-la.” – Esta parábola contada por Jesus em Lucas 13.6-9 lembra-nos o novo ano. A expectativa do Salvador evidencia-se nestas palavras: “...venho buscar figos nesta figueira” e o seu grande desapontamento manifesta-se ao dizer: “e não encontro nenhum”.

É difícil avaliarmos o valor real do nosso trabalho realizado no último ano. Mas Deus não nos julga durante um período como fez à figueira. As condições do trabalho podem variar e impedir a mesma colheita do ano anterior. Porém, é agradável a Deus que demos fruto, e devemos semear a Palavra esperando resultados. E certamente ficaremos desapontados quando os investimentos feitos não surtirem efeitos. Eis o julgamento da figueira: “Por que deixá-la continuar... sem produzir?” E a sentença: “Corte esta figueira!”.

Há um julgamento derradeiro para o cristão sem frutos. Não é pronunciado no primeiro ano, talvez nem no segundo ano ou na próxima década. No entanto, sempre que encontramos desculpas para as nossas falhas, erros, negligência e infidelidade nos aproximamos do julgamento e do veredito finais.

O empregado corajosamente intercedeu a favor da figueira: “Deixe-a mais este ano...”. Também a cada um de um nós é dada esta extensão. Temos 365 dias à nossa frente. Então, com o auxílio e o poder de Deus Espírito Santo, procuremos produzir mais frutos espirituais (Gl.5.22,23). Conseguiremos isso, aprofundando a nossa vida devocional, fortalecendo nossa fé pela Palavra e Sacramento do Altar, frequentando os cultos e a Santa Ceia, aprimorando nossas relações com o próximo e praticando uma boa mordomia dos bens e talentos que Deus nos deu.

Que o Senhor nosso Deus nos ajude a produzir frutos dignos de arrependimento. E assim contribuiremos para fazer deste ano UM ANO MELHOR.

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº 395

Não havia lugar

"Maria e José buscam um refúgio para o parto" (em alemão: "Am Abend vor Christi Geburt") - pintura de 1869 por Michael Rieser (1828-1905). Imagem de domínio público.
"Maria e José buscam um refúgio para o parto" (em alemão: "Am Abend vor Christi Geburt") - pintura de 1869 por Michael Rieser (1828-1905). Imagem de domínio público.

Maria e José prosseguiam sua jornada pela estrada poeirenta que subia e descia sobre as colinas de Efratá. Mas agora estavam quase chegando e lá adiante já podiam avistar as casas brancas da cidadezinha de Belém, brilhando ao sol da tarde. Não era uma viagem de férias, nem um passeio. Eles teriam preferido ficar tranquilamente em Nazaré, ainda mais porque o filho de Maria devia nascer em breve. Mas não podiam deixar de fazer esta viagem. O imperador Augusto, senhor do grande Império Romano, havia decretado que toda a população fosse recenseada. E por toda a parte, na terra dos judeus, tinha sido ordenado que todos, homens, mulheres e crianças, teriam que ir à cidade onde nasceram, para registrar o nome no censo. Assim, também José e Maria fizeram aquela longa e cansativa viagem para Belém, a cidade de Davi, pois ambos eram descendentes do rei Davi.

Chegaram! Andaram pelas ruas, cheias de forasteiros vindos de vários lugares. Foram à hospedaria onde queriam passar a noite. Mas o lugar estava lotado. Continuaram andando e por fim se instalaram numa estrebaria, onde Maria “deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque NÃO HAVIA LUGAR para eles na hospedaria”. (Lc. 2.7).

Certa vez, um professor de psicologia, cristão, de uma renomada Universidade europeia, distribuiu entre quarenta alunos uma folha de papel com a palavra NATAL. E pediu que os jovens escrevessem logo após aquele vocábulo todos os objetos e eventos que lhes viessem à mente, relacionados com tão festiva data. Quando os papeis foram recolhidos o professor verificou que os alunos escreveram: árvore, pinheiro, sinos, cânticos, bolas, nozes, amêndoas, chocolate, Papai Noel, neve, luzes, trenó, brinquedos, etc, mas em nenhum deles apareceu escrito “o nascimento de Jesus”.

Para decepção do professor, também na mente e nos corações daqueles jovens frenéticos e inconsequentes, NÃO HAVIA LUGAR para o Infante de Belém. Não houve lugar lá em Belém e, infelizmente, continua ainda hoje a não haver lugar em muitos corações humanos para o Salvador fazer neles morada. Mesmo que Cristo nasce mil vezes em Belém da Judeia e não nasce em nosso coração, estaremos perdidos para o Além e nossa vida não terá sentido algum.

Oportuno é este recado do Senhor: “Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap.3.19,20).

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº 394