Ver Deus

Metáfora para Tolstói - por Jean Tosetto


León Tolstói, famoso escritor russo, deixou-nos esta preciosa história:

Havia certo rei que já tinha vivido e visto muitas coisas. Aí ele, a todo o custo, também queria ver Deus. E como ele exercia seu poder de modo absolutista e ditatorial, deu uma ordem aos seus sacerdotes e sábios que lhe possibilitassem realizar este seu desejo.

Naturalmente, ninguém conseguiu atendê-lo. E todos já estavam tristes por causa do castigo que o rei iria lhes aplicar. Aí apareceu, vindo do campo, um pastor de ovelhas, que tinha ouvido falar daquela ordem do rei. Ele lhe disse: “Majestade, permita-me que eu cumpra vosso desejo.

O rei respondeu: “Está bem! Mas lembra-te de que a tua cabeça estará em jogo!” O pastor levou o rei a um lugar a céu aberto e lhe mostrou o sol. “Olhe para ele,” disse o pastor. O rei ergueu os seus olhos e queria fitar o sol. Mas o seu brilho era forte demais, e por isso ele baixou a cabeça e fechou os olhos e disse ao pastor: “Tu queres que eu fique cego?!

Mas majestade”, disse o pastor, “isto é apenas uma parte da criação, uma cópia pálida da grandeza de Deus, uma pequena centelha de uma fogueira de chamas. Como é que vossa majestade quer ver Deus com seus olhos fracos e lacrimejantes? Procure a ele com outros olhos.

Esta ideia agradou ao rei. E ele disse ao pastor: “Reconheço o teu espírito e vejo a grandeza de tua alma. Mas, responde-me agora: O que existia antes de Deus?” Após refletir por algum tempo o pastor disse: “Majestade, não se aborreça com o meu pedido! Mas conte!” O rei começou a contar: Um, dois, três...

Não, não assim!,” interrompeu o pastor, “comece com aquilo que vem antes de um!” “Como é que eu posso? Antes do “um” não há nada!” disse o monarca. “Muito sábio o seu argumento, Majestade”, disse o pastor. E concluiu: “Antes de Deus também não existia nada.

Esta resposta agradou ao rei, mais que a anterior. Então ele disse ao pastor de ovelhas: “Vou te recompensar regiamente! Mas antes me responde a terceira pergunta: O que é que Deus faz?” O pastor compreendeu que o coração do rei havia se comovido. “Bem”, disse ele, “também esta pergunta eu quero responder à Vossa Majestade. Eu só lhe peço uma coisa antes: Vamos trocar as nossas vestes por um breve momento.

E ambos trocaram as suas vestes. E aí o pastor disse: “É isto que Deus faz: Ele desceu do seu trono excelso e tornou-se um de nós. Ele dá a nós o que Ele tem, e aceita o que nós temos e somos.

Quaresma é um período especial para meditarmos sobre o grande amor de Deus que veio sofrer e morrer por nós, nos resgatar e nos dar novas vestes. Que ao acompanhar os passos de Jesus em direção ao Gólgota nos lembremos que Ele fez isso porque Deus tem propósitos eternos para cada um de nós, suas criaturas.

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº374

Feliz Ano Novo!

Feliz 2015! (foto: Jean Tosetto)

Certamente esta é a frase mais pronunciada no mundo inteiro após o “Feliz Natal”. Uma mensagem singela que se torna profunda e rica quando é sincera. A passagem de ano praticamente induz as pessoas a um autoexame e as leva a sondar o coração quanto às relações com o próximo e com Deus.

No Ano Novo fazem-se novos planos, traçam-se propósitos, enumeram-se ardentes desejos, sempre na esperança de vir um ano melhor que o anterior. Em geral, procura-se ser otimista. O enfermo conta com mais saúde, o pobre com melhores dias, o empresário com o sucesso de seus empreendimentos, o agricultor com uma ótima safra, o governo com o êxito de seus programas, o mundo com o interminável desejo de paz.

Parece que no Ano Novo os homens estão mais sensíveis e os bons sentimentos predominam. E aqueles que exercitam o exame de consciência acabam sentindo pesar por seu mau procedimento, seu orgulho e hipocrisia. Reconhecem seus erros e envergonhados decidem corrigir-se dali em diante.

No Ano Novo o cristão que se examina moral e espiritualmente, ao se enxergar tal qual é, há de se perguntar, abismado: Por que o Senhor Deus tem sido tão misericordioso comigo? Pois, tantas e tantas vezes fui negligente para com Ele e Sua Palavra?! Quantas e quantas vezes procedi mal para com o meu semelhante? Muitas e muitas vezes não agi com amor e dedicação à Igreja de meu Salvador Jesus Cristo?

No Ano Novo, então, reconhecendo que estou um passo mais perto da eternidade e que a minha vida está nas mãos de Deus, é hora de reafirmar a fé no Príncipe da Paz que me foi anunciado no Natal – Jesus Cristo! É hora de me humilhar arrependido diante do Senhor e renovar meu voto de fidelidade a Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

No Ano Novo, portanto, vamos lembrar o passado com arrependimento. Olhar para o futuro com otimismo. Viver o presente como ponto de partida para uma vida melhor e mais fiel a Cristo Jesus. E que Ele seja na vida de cada um de nós o Alfa e Ômega, o Princípio e o Fim.

- Pastor Alaor

Publicado originalmente no boletim informativo da CELC/SP - nº373