Fidelidade e confiança em Deus

"Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR." - Jeremias 17.7

Paulo, prisioneiro pela segunda vez em Roma, sente que tem pouco tempo ainda na terra. Daí escreve ao seu jovem companheiro de missão, prevendo o seu martírio. Nem por isso, manifesta qualquer queixa ou lamento. Via-se perseguido e abandonado pelos homens, mas jamais se sentia abandonado por Deus. E manifestando sua fidelidade e confiança no Senhor, afirma em sua Segunda Carta a Timóteo, capítulo 4, versículo 18: “O Senhor me livrará de todo o mal e me levará em segurança para o seu Reino celestial. A ele seja dada a glória para todo o sempre! Amém.”

O apóstolo consegue olhar para o futuro com tamanha confiança em virtude de sua fé estar bem alicerçada no Deus que o tem acompanhado e se mostrado bem real em sua vida. Apesar de tudo o que teve de enfrentar no seu ministério pastoral - açoites, apedrejamentos, prisões, naufrágios e períodos sem comida e água - Paulo sabe que pode e deve confiar no Senhor, pois algo incomparavelmente melhor o aguarda. Seu sofrimento presente será redimido. O Deus de amor, que por obra do Espírito Santo lhe revelou o Salvador Ressuscitado, há de lhe amparar, fortalecer e socorrer, sejam quais forem as circunstâncias.

E realmente sua vida se aproxima do fim. Paulo, então, preocupa-se em exortar Timóteo para a necessidade de ousadia perante os sofrimentos. Escreve-lhe aconselhamentos que ficaram registrados como um legado a ser transmitido a outros homens fieis e também capazes de ensinar e testemunhar da salvação que há em Cristo.

Por providência divina esses ensinamentos chegaram até nós e hoje nos servem de orientação e encorajamento na vida, estimulando-nos a permanecer fieis no caminho do Senhor e humildes e obedientes à sua Santa Vontade. Obviamente, todos nós temos consciência da brevidade dessa vida terrena e que, mais dia menos dia, também partiremos desse mundo. E, sem dúvida, nosso desejo é usufruir o prêmio da vitória que Jesus por nós conquistou na cruz do Calvário e a confirmou com a sua triunfante ressurreição. É fato, nossa fé não será vã!

Que este exemplo de fidelidade e confiança em Deus que o apóstolo Paulo nos legou seja marcante em nossa vida comprometida com o Senhor!

Oração: Misericordioso Deus e Pai, reconheço que minha fé é fraca e minha coragem perante a brevidade da vida desfalece muitas vezes. Perdoa-me! Por Teu Santo Espírito, encoraja-me diante das provações e fortalece minha esperança de viver contigo eternamente. Em nome e por amor de Jesus, meu Salvador. Amém.

- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº10 em junho de 2018.

O termômetro da fé

"O Apóstolo Paulo" (circa 1657), pintura de Rembrandt (1606-1669) exposta na Galeria Nacional de Arte em Washington, EUA.
"O Apóstolo Paulo" (circa 1657), pintura de Rembrandt (1606-1669) exposta na Galeria Nacional de Arte em Washington, EUA.

Há alguma causa pela qual você daria sua vida? Paulo transformou-se em servo do evangelho pelo dom de Deus. Na Carta aos Efésios 3.7 ele diz: “Graças ao dom que Deus, na sua bondade, me deu, e, pela ação do seu poder, eu fui colocado como servo do evangelho.” Ele nunca considerou esta designação como algo elevado que o diferenciasse das demais pessoas. Ao contrário, sempre falou de si mesmo com humildade e reconheceu esta graça de Deus não para seu exclusivo prazer, mas para que a passasse a outros. Estava consciente de que fora chamado para levar o Evangelho de Cristo a todas as nações.

No Antigo Testamento o plano de Deus estava direcionado principalmente para a nação de Israel, embora houvesse pistas de que o plano redentor de Deus não era exclusivo dos judeus. Já para Abraão fora dito que ele seria uma bênção para todos os povos do mundo (Gn.12.3).

O ministério de Paulo consistia exatamente em levar ao conhecimento de todos, que o evangelho garante, tanto a judeus quanto aos gentios, o direito de herdar com Cristo tudo o que Ele recebeu de Deus. E que todos, não por mérito, mas por graça de Deus mediante a fé em Jesus, poderão ser perdoados e salvos. Esta era a causa pela qual Paulo estava disposto a dar a própria vida.

E a obra missionária de Paulo lhe exigiu grande perseverança e enorme fé. Sofreu furiosas perseguições, foi preso várias vezes, enfrentou naufrágios, teve suas costas marcadas por açoites. Mas todo seu sofrimento não foi motivo para esmorecer. E seu testemunho da Palavra teve um alcance incrível. Suas epístolas escritas enquanto acorrentado em cárcere produzem efeito até nossos dias. Quanto nós teríamos perdido se Paulo tivesse desanimado e se colocado no papel de vítima? Mas ele jamais questionou Deus e nem duvidou de seus planos e desígnios. A causa de Deus era também sua!

Temos nós uma causa pela qual demonstramos profunda fé em Deus? Encaramos eventuais momentos de dificuldade na vida como oportunidades para aprendermos algo de Deus e para sermos usados por Ele? Infelizmente o termômetro de fé para muitos hoje está vinculado à prosperidade, cura e felicidade terrena, em detrimento de uma vida controlada inteiramente por Deus. Nossa fé está baseada exclusivamente na suficiência de Deus?

É gratificante saber que o evangelho garante a todos a graça de receber o perdão e a salvação por mérito de Cristo e que Nele e só por meio Dele herdaremos os céus. A exemplo de Paulo, alegremos outros com esta boa notícia e lhes animemos a também prosseguirem fortes na fé e absolutamente confiantes nas promessas do Senhor.

Oração: Gracioso Deus e Senhor, somos muito gratos a ti por nos teres amado tanto, enviando-nos um Salvador para nos resgatar do pecado e da condenação eterna. Ensina-nos e ajuda-nos a compartilhar esta boa nova com muitos outros que ainda a desconhecem. Em nome e por amor de Cristo, teu Filho, nosso Salvador. Amém.

- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº9 em maio de 2018.