O termômetro da fé

"O Apóstolo Paulo" (circa 1657), pintura de Rembrandt (1606-1669) exposta na Galeria Nacional de Arte em Washington, EUA.
"O Apóstolo Paulo" (circa 1657), pintura de Rembrandt (1606-1669) exposta na Galeria Nacional de Arte em Washington, EUA.

Há alguma causa pela qual você daria sua vida? Paulo transformou-se em servo do evangelho pelo dom de Deus. Na Carta aos Efésios 3.7 ele diz: “Graças ao dom que Deus, na sua bondade, me deu, e, pela ação do seu poder, eu fui colocado como servo do evangelho.” Ele nunca considerou esta designação como algo elevado que o diferenciasse das demais pessoas. Ao contrário, sempre falou de si mesmo com humildade e reconheceu esta graça de Deus não para seu exclusivo prazer, mas para que a passasse a outros. Estava consciente de que fora chamado para levar o Evangelho de Cristo a todas as nações.

No Antigo Testamento o plano de Deus estava direcionado principalmente para a nação de Israel, embora houvesse pistas de que o plano redentor de Deus não era exclusivo dos judeus. Já para Abraão fora dito que ele seria uma bênção para todos os povos do mundo (Gn.12.3).

O ministério de Paulo consistia exatamente em levar ao conhecimento de todos, que o evangelho garante, tanto a judeus quanto aos gentios, o direito de herdar com Cristo tudo o que Ele recebeu de Deus. E que todos, não por mérito, mas por graça de Deus mediante a fé em Jesus, poderão ser perdoados e salvos. Esta era a causa pela qual Paulo estava disposto a dar a própria vida.

E a obra missionária de Paulo lhe exigiu grande perseverança e enorme fé. Sofreu furiosas perseguições, foi preso várias vezes, enfrentou naufrágios, teve suas costas marcadas por açoites. Mas todo seu sofrimento não foi motivo para esmorecer. E seu testemunho da Palavra teve um alcance incrível. Suas epístolas escritas enquanto acorrentado em cárcere produzem efeito até nossos dias. Quanto nós teríamos perdido se Paulo tivesse desanimado e se colocado no papel de vítima? Mas ele jamais questionou Deus e nem duvidou de seus planos e desígnios. A causa de Deus era também sua!

Temos nós uma causa pela qual demonstramos profunda fé em Deus? Encaramos eventuais momentos de dificuldade na vida como oportunidades para aprendermos algo de Deus e para sermos usados por Ele? Infelizmente o termômetro de fé para muitos hoje está vinculado à prosperidade, cura e felicidade terrena, em detrimento de uma vida controlada inteiramente por Deus. Nossa fé está baseada exclusivamente na suficiência de Deus?

É gratificante saber que o evangelho garante a todos a graça de receber o perdão e a salvação por mérito de Cristo e que Nele e só por meio Dele herdaremos os céus. A exemplo de Paulo, alegremos outros com esta boa notícia e lhes animemos a também prosseguirem fortes na fé e absolutamente confiantes nas promessas do Senhor.

Oração: Gracioso Deus e Senhor, somos muito gratos a ti por nos teres amado tanto, enviando-nos um Salvador para nos resgatar do pecado e da condenação eterna. Ensina-nos e ajuda-nos a compartilhar esta boa nova com muitos outros que ainda a desconhecem. Em nome e por amor de Cristo, teu Filho, nosso Salvador. Amém.

- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº9 em maio de 2018.

Onde está Deus?

Detalhe de "Sorrowing old man" (1890). Pintura de Vincent van Gogh (1853-1890) exposta no Kröller-Müller Museum em Otterlo nos Países Baixos.
Detalhe de "Sorrowing old man" (1890). Pintura de Vincent van Gogh (1853-1890) exposta no Kröller-Müller Museum em Otterlo, nos Países Baixos.

Em meio a fatídicos acontecimentos ocorridos recentemente, ouviu-se a seguinte pergunta: “Onde está Deus frente a tantas desgraças?” - Geralmente pensamos estar livres de todo o mal. E então, quando uma desgraça nos envolve, somos tentados a mergulhar na depressão e no desespero. Ficamos atordoados. E, confusos, questionamos: Onde está Deus?

Se você tem tido alguns contratempos como, por exemplo, uma doença que chegou no pior dos momentos, o desemprego que surpreendeu você justamente quando você estava se estabilizando, o falecimento repentino de uma pessoa querida da família, uma catástrofe qualquer na natureza que o privou de boa parte de seus bens, uma enfermidade indomável que lhe exige sucessivas hospitalizações e um prolongado e doloroso tratamento, então, medite nesta palavra do Senhor Deus registrada no livro bíblico de Isaías 49.15,16a: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei.”

Diante dos problemas difíceis da vida, custa-nos aceitar um simples consolo divino. Preferimos buscar soluções em filosofias baratas e em definições sofisticadas. O resultado será ainda mais dúvidas e ainda maior o desespero.

Deus, entretanto, nunca se afasta de nós e não deseja abandonar-nos à perdição completa. E, por isso, convida-nos a que nos entreguemos confiantes no seu amor e na sua paz. Ele conhece muito bem as situações pelas quais cada um de nós passa. E ele sabe quão difícil é livrar-nos delas.

Isto ele mesmo experimentou na pessoa de Cristo. Quando esteve visivelmente aqui na terra, Jesus se identificou com as pessoas que o rodearam e sentiu a dor delas. Os Evangelhos nos contam como Jesus foi bondoso e compassivo para com todos e como sempre estava disposto a alcançar a sua mão aos aflitos e necessitados. Pois, a sua atitude ainda hoje é a mesma. Continuamente, Deus se interessa por nós e nos estimula a, através do Salvador Jesus Cristo, depositarmos as nossas preocupações diante das desgraças, em suas poderosas mãos.

Você não está sozinho perante as inquietações e os obstáculos da vida! Deus, em Cristo, segura você pela mão! Confie nele, pois assim, mesmo em meio às tribulações, você desfrutará a verdadeira paz interior! Siga o conselho do salmista: “Ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará.” Sl.37.5
- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº8 em abril de 2018.