A vida é passageira

"Campo de trigo com ciprestes" (1889): pintura de Vincent van Gogh (1853 - 1890) exposta no Metropolitan Museum of Art em Nova York.
"Campo de trigo com ciprestes" (1889): pintura de Vincent van Gogh (1853 - 1890) exposta no Metropolitan Museum of Art em Nova York.

De novo é ADVENTO e NATAL. E logo mais o ano de 2018 ficará no passado. Momento oportuno para refletirmos sobre o tempo que passa rapidamente. Uma boa hora para também pensarmos como temos vivido e de remodelar aquilo que precisa ser modificado. E, sem dúvida alguma, hora de agradecer a Deus por tudo que nos aconteceu nesse ano único na nossa vida e de reacender novas esperanças.

Cientes de que o tempo é valioso e deve ser aproveitado com sabedoria e sob a direção de Deus, eis o que nos diz a Primeira Epístola de Pedro capítulo 1, versículo 24: “Todos os seres humanos são como a erva do campo, e a grandeza deles é como a flor da erva. A erva seca, e a flor cai, mas a palavra do Senhor dura para sempre.” Esta verdade foi dita primeiramente pelo profeta Isaías (40.6-8), muitos séculos antes. O apóstolo Pedro a reafirma, constatando a transitoriedade da vida. Ambos nos alertam de que a vida é passageira e passa rapidamente. Um dia nascemos, crescemos, chega o momento de partir... e daí para frente, o que será?

Por isso o alerta para que a luta por conquistas, fama, poder e riquezas terrenas, não nos afastem daquilo que é permanente. As coisas materiais são que nem a erva que seca e a flor que cai. Mas a palavra do Senhor dura para sempre. E esta Palavra nos diz que Deus nos deu, não só um corpo físico, como também uma alma eterna. Todo aquele que “nasceu de novo”, isto é, que recebeu a graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, será salvo e viverá eternamente.

Têm pessoas que se deitam e se levantam como se Deus não existisse e que se acham completamente autossuficientes. Fujamos de tal comportamento. E que ao longo do novo ano Deus continue nos concedendo a bênção do seu amor, a alegria da sua salvação, o conforto do seu perdão e a força do seu poder!

Nesta convicção e firme fé, celebremos alegremente o Advento e o Natal deste Ser Especial que o profeta Isaías, há mais de 700 anos já anunciara, dizendo: “Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será o nosso rei. Ele será chamado de “Conselheiro Maravilhoso”, “Deus Poderoso”, “Pai Eterno”, “Príncipe da Paz”. (Is. 9.6).

Cientes de que a nossa permanência nesta vida terrena é transitória e confiantes de que a vida eterna COM CRISTO é incomparavelmente melhor, permaneçamos alertas na fé e vigilantes na oração, esperançosos da herança dos céus, por graça de Deus.

- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº16 em dezembro de 2018.

Lágrimas em sorrisos

"The Harvesters" (1565): pintura de Pieter Brueghel (1526/1530 - 1569) exposta no Metropolitan Museum of Art em Nova York.
"The Harvesters" (1565): pintura de Pieter Brueghel (1526/1530 - 1569) exposta no Metropolitan Museum of Art em Nova York.

Quem nunca enfrentou aflições na vida? Angústias pessoais e familiares, desgostos profissionais, desapontamentos com amigos, decepção com irmãos na fé, desilusões no amor, frustrações como cidadão, etc. Todo o ser humano está sujeito as mais diversas perturbações da vida terrena. Mas, há quem pense que o cristão, por ser cristão, está isento de ansiedades, mágoas e suplícios. Mera ilusão!

O próprio Salvador Jesus alertou quanto a isso, dizendo: “No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo.” (Jo. 16.33) Felizmente, Deus nunca desampara aqueles que nele confiam. E o que é impossível aos homens se revela possível a Deus. A grandeza do que Ele faz até nos deixa perplexos, como que custando a acreditar no que os olhos veem. Não é falta de fé, antes, é espanto diante do que Deus pode fazer. Pois uma coisa é crer que Ele pode, e outra é ver quando Ele faz. O impacto é outro. Mas só se verá o que Ele faz se houver fé. Quem não crê não enxerga. Quem não crê acha que é coincidência. Mas quem crê sabe em quem confia, e sabe de onde provem o socorro.

O Salmo 126, por exemplo, é uma oração de um povo que sofre em meio a uma crise e que perante tão ameaçadora dificuldade busca o socorro de Deus. A fé deste povo não existe num vazio, nem é supersticiosa ou superficial, mas está alicerçada nos grandes feitos do Senhor. O Salmo recorda um evento histórico de libertação que aconteceu no passado e relembra da rotina de plantio e colheita que se repetia anualmente. Primeiro se refere à libertação do cativeiro babilônico, um dos piores momentos da história do povo hebreu; quando tudo parecia perdido o Senhor manifestou-se Salvador e as lágrimas transformaram-se em sorrisos. Depois se refere à semeadura e à colheita, algo que o agricultor anualmente exercita, esperando pacientemente que a terra produza preciosa colheita, sob a bênção de Deus.

Todo esse contexto nos ajuda a entender que a mensagem do Salmo aplica-se ao alívio de qualquer situação aflitiva. Pois, o Deus que agiu no passado, agirá também no presente. Por isso, mesmo que surjam obstáculos, dores, traumas, perdas, não desanimemos e jamais deixemos de caminhar com o Senhor. Nele temos o alívio e refrigério. A salvação, que recebemos através de Cristo, é motivo de alegria constante, e mesmo em meio às tribulações também podemos dizer: “De fato, o Senhor fez grandes coisas por nós, e por isso estamos alegres.”

É muito bom saber que em qualquer situação, em Deus nós encontramos segurança. Que Ele aumente e fortaleça nossa fé, especialmente quando a vida nos colocar em situações adversas e angustiantes! - “Ó Senhor Todo-Poderoso, como são felizes aqueles que confiam em ti!” Sl. 84.12.

- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº15 em novembro de 2018.