Lágrimas em sorrisos

"The Harvesters" (1565): pintura de Pieter Brueghel (1526/1530 - 1569) exposta no Metropolitan Museum of Art em Nova York.
"The Harvesters" (1565): pintura de Pieter Brueghel (1526/1530 - 1569) exposta no Metropolitan Museum of Art em Nova York.

Quem nunca enfrentou aflições na vida? Angústias pessoais e familiares, desgostos profissionais, desapontamentos com amigos, decepção com irmãos na fé, desilusões no amor, frustrações como cidadão, etc. Todo o ser humano está sujeito as mais diversas perturbações da vida terrena. Mas, há quem pense que o cristão, por ser cristão, está isento de ansiedades, mágoas e suplícios. Mera ilusão!

O próprio Salvador Jesus alertou quanto a isso, dizendo: “No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo.” (Jo. 16.33) Felizmente, Deus nunca desampara aqueles que nele confiam. E o que é impossível aos homens se revela possível a Deus. A grandeza do que Ele faz até nos deixa perplexos, como que custando a acreditar no que os olhos veem. Não é falta de fé, antes, é espanto diante do que Deus pode fazer. Pois uma coisa é crer que Ele pode, e outra é ver quando Ele faz. O impacto é outro. Mas só se verá o que Ele faz se houver fé. Quem não crê não enxerga. Quem não crê acha que é coincidência. Mas quem crê sabe em quem confia, e sabe de onde provem o socorro.

O Salmo 126, por exemplo, é uma oração de um povo que sofre em meio a uma crise e que perante tão ameaçadora dificuldade busca o socorro de Deus. A fé deste povo não existe num vazio, nem é supersticiosa ou superficial, mas está alicerçada nos grandes feitos do Senhor. O Salmo recorda um evento histórico de libertação que aconteceu no passado e relembra da rotina de plantio e colheita que se repetia anualmente. Primeiro se refere à libertação do cativeiro babilônico, um dos piores momentos da história do povo hebreu; quando tudo parecia perdido o Senhor manifestou-se Salvador e as lágrimas transformaram-se em sorrisos. Depois se refere à semeadura e à colheita, algo que o agricultor anualmente exercita, esperando pacientemente que a terra produza preciosa colheita, sob a bênção de Deus.

Todo esse contexto nos ajuda a entender que a mensagem do Salmo aplica-se ao alívio de qualquer situação aflitiva. Pois, o Deus que agiu no passado, agirá também no presente. Por isso, mesmo que surjam obstáculos, dores, traumas, perdas, não desanimemos e jamais deixemos de caminhar com o Senhor. Nele temos o alívio e refrigério. A salvação, que recebemos através de Cristo, é motivo de alegria constante, e mesmo em meio às tribulações também podemos dizer: “De fato, o Senhor fez grandes coisas por nós, e por isso estamos alegres.”

É muito bom saber que em qualquer situação, em Deus nós encontramos segurança. Que Ele aumente e fortaleça nossa fé, especialmente quando a vida nos colocar em situações adversas e angustiantes! - “Ó Senhor Todo-Poderoso, como são felizes aqueles que confiam em ti!” Sl. 84.12.

- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº15 em novembro de 2018.

Um clamor que somente Deus podia atender

"Jesus cura um homem cego em Jericó" (circa 1530-1532): pintura de Matthias Gerung (1500–1570) que integra o acervo digital de de Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek.
"Jesus cura um homem cego em Jericó" (circa 1530-1532): pintura de Matthias Gerung (1500–1570) que integra o acervo digital de de Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek.

Sentado na beira do caminho, cego, desempregado, falido, arruinado, excluído do núcleo social, Bartimeu vivia a mendigar. Aos olhos do mundo ele era “ninguém”, mas aos olhos de Deus ele é “ALGUÉM”. Jamais tinha tido a oportunidade de ver Jesus, todavia, ele creu. Fez melhor que Tomé e ingressou na lista dos bem aventurados que não viram e creram. Lemos no Evangelho de Marcos, capítulo 10, versículo 47: “Quando ouviu alguém dizer que era Jesus de Nazaré que estava passando, o cego começou a gritar: - Jesus, Filho de Davi, tenha pena de mim!”

Bartimeu tinha conhecimento de quem era Jesus e intensificou seu clamor. Não queria perder a oportunidade de falar com o Salvador, pois sabia que era o único que lhe poderia curar. Foi repreendido pelas pessoas e ordenado que se calasse, mas ele não desanimou. Insistiu em ser ouvido e sua persistência fez Jesus parar e lhe perguntar: “O que é que você quer que eu faça?” E Bartimeu respondeu: “Mestre, eu quero ver de novo!” Uma oração simples e direta. Uma prece curta e objetiva. Um clamor que somente Deus podia atender.

A convicção daquele mendigo cego foi tão grande que recebeu seu milagre. E muito mais que isso, pois Jesus olhou para ele e lhe afirmou: “Vá, você está curado porque teve fé!” A fé de Bartimeu é contemplada por Jesus. Ele recebe a cura dos olhos humanos e, mais que isto, ganha também uma visão espiritual. E recebida a bênção da cura, Bartimeu não foi embora para viver à sua maneira. Mas, ele segue a Jesus caminho a fora. Não é mais um excluído, mas foi incluído, caminhando entre os seguidores de Cristo. Não foi apenas iluminado, mas está seguindo os passos do iluminador do mundo, com vistas a tornar-se uma lâmpada desta Luz.

Existem situações na vida que nos colocam também na beira do caminho e ofuscam nossa visão de coisas futuras. Desemprego, doenças na família, crise financeira, depressão, angústias diversas. Entretanto, em vez de sucumbirmos na desesperança, devemos sempre acreditar que Jesus fez algo por nós e que valoriza nossa vida. Ele até sacrificou-se na cruz, para que nós pudéssemos receber perdão e vida eterna. Seu desejo é que todos sejam curados física e espiritualmente, e que já nesta vida tenhamos a visão dos céus. Então, a exemplo de Bartimeu, clamemos diariamente: Senhor Jesus, tem misericórdia de mim! Dá-me fé e esperança! Amém.

- Pastor Alaor Güths dos Santos

Publicado originalmente no boletim "Notícia e Informações da Igreja Luterana de Moema" nº14 em outubro de 2018.